Uma vinícola que ainda tinha ares de projeto familiar.
A primeira vez que visitei La Azul foi entre 2005 e 2007. Naquela época, não era uma "visita a uma vinícola" no sentido moderno. Era uma pequena construção — quase uma casa — com alguns tanques de aço inoxidável (seis, se bem me lembro), algumas caixas de plástico, alguns barris e muito pouco vinho. Duas linhas de produção. Produção minúscula. Um projeto que ainda parecia ter tinta fresca.
Hospitalidade antes da marca
E a melhor parte era esta: você chegava e o próprio Ezequiel — o dono, praticamente da minha idade — te recebia. Estávamos na casa dos vinte e poucos anos. Havia um enólogo por perto. Só isso. Sem coreografia. Sem discursos polidos. Sem nenhuma "história da marca" sendo vendida. Apenas um projeto familiar jovem, te recebendo como amigos te recebem: naturalmente, calorosamente, como se você não estivesse interrompendo o dia deles — você fazia parte dele.
Avançando para os dias de hoje, La Azul cresceu bastante. Agora existe um hotel. O restaurante tornou-se um dos mais reconhecidos do Vale do Uco. A comida pode facilmente ser considerada de alta gastronomia. Mas o que importa é que a sensação ao chegar continua a mesma.
Luxo sem ostentação: Um Contraponto Humano no Vale do Uco
Você se senta e o nível é alto — pratos belíssimos, execução impecável, o tipo de refeição que você comeria com prazer em um restaurante sofisticado da cidade. Só que este lugar não tenta bancar o pretensioso. O La Azul consegue, de alguma forma, servir comida de luxo com o aconchego de uma casa de família em Mendoza. Não é um "espetáculo gastronômico". É mais como: você está comendo incrivelmente bem... em um lugar que ainda parece a casa do seu tio ou da sua avó, onde alguém está sempre reabastecendo seu copo porque é isso que as pessoas fazem por aqui.
Para mim, La Azul também significa algo no contexto de Vale de Uco. Esta região é repleta de muito dinheiro, arquitetura grandiosa e grandes nomes internacionais. Alguns desses projetos são incríveis, sem dúvida. Mas a atmosfera pode mudar quando tudo se torna muito planejado, muito perfeito, muito "destino turístico".“
E então temos La Azul, ainda de pé, como algo tipicamente mendozano: enraizada, familiar, teimosamente humana. Os proprietários são Fadel Hinojosa, e o nome Hinojosa não é um nome aleatório; é o nome de uma família antiga e tradicional do vale. A mãe deles deu as terras aos filhos, e o terreno de Ezequiel foi pintado de azul (daí o nome). Em um vale cada vez mais globalizado, La Azul se destaca como um dos últimos verdadeiros bastiões locais. (Se você quiser uma imagem da cultura pop: eles são um pouco como os Starks de Uco — mantendo a linha silenciosamente enquanto todos os outros constroem castelos.)
É o tipo de lugar que pertence a Passeios pelas vinícolas de Mendoza—não porque esteja tentando impressionar turistas, mas porque representa o que torna esta região especial além das garrafas: as pessoas, a terra, a sensação de que a hospitalidade aqui não é fingida, é herdada. Quando você está transitando entre vinícolas sofisticadas e pousadas internacionais, La Azul te lembra qual é o sabor do vale quando ele ainda é ele mesmo.
Considerações finais
É por isso que escolhemos La AzulPorque oferece algo que está se tornando raro. Cresceu sem perder a sua essência. Você vai pelos vinhos, fica pelo restaurante, pode até dormir lá agora — mas o que fica na memória é a sensação. Aquela hospitalidade calorosa e espontânea que faz você pensar: este não é um lugar feito para impressionar. É um lugar que simplesmente sabe como te acolher.
Se visitar a Vinícola La Azul é uma experiência que você gostaria de vivenciar, nosso Excursões privadas às vinícolas do Vale do Uco são concebidas para incluir lugares como este — vinícolas onde a hospitalidade, a comida e o vinho se unem naturalmente, sem perder o seu caráter local.
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Como visitar La Azul
- Onde fica: Tupungato – Vale de Uco, Mendoza.
- Como chegar: Aproximadamente de 1 hora e 15 minutos a 1 hora e 30 minutos de carro da cidade de Mendoza (pela Rota 40 e depois por estradas secundárias). Como as degustações envolvem vinho, a maioria dos visitantes chega com motorista particular ou em uma excursão guiada.
- Visitas: Uma pequena vinícola com um restaurante que tem uma clientela fiel: reservas são necessárias. essencial e devem ser feitas com bastante antecedência, às vezes semanas antes na alta temporada.
- Melhor época do ano: A colheita ocorre do final de fevereiro até abril e é o momento mais vibrante no vinhedo; de setembro a dezembro, as vinhas estão verdes, ainda há neve nos Andes e a disponibilidade dos vinhos é maior.
- Nota de Peter: Reservamos com bastante antecedência. O almoço está entre os melhores do vale e o vinho não decepciona.
- Combina bem com: Uma visita matinal a Gualtallary ou San José, com almoço incluído.
Perguntas frequentes
Preciso reservar o La Azul com antecedência?
Sim, e mais cedo do que a maioria. É uma vinícola muito pequena com um restaurante popular, então as mesas podem ser reservadas com semanas de antecedência na alta temporada.
Qual a distância entre La Azul e a cidade de Mendoza?
Fica na área de Tupungato, no Vale do Uco, a aproximadamente 1 hora e 15 minutos a 1 hora e 30 minutos de carro.
O restaurante La Azul é focado principalmente na comida ou no vinho?
Ambos. A cozinha é uma das melhores do vale, e os vinhos não ficam nada atrás — o que é mais raro do que parece.
La Azul é adequada para grupos grandes?
Na verdade, não. O tamanho do local favorece casais e pequenos grupos; grupos maiores são melhor atendidos por uma vinícola maior.
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Peter Cubillos, escritor e enólogo radicado em Mendoza, com três livros publicados e mais de 20 anos de experiência em enoturismo.
